TEXTO: OSWALDO AMORIM (1986)
Já disse, mas tenho de repetir para maior conscientização geral: para valer, mesmo, Patos só esteve no poder uma única vez: com Olegário Maciel, no início da década de trinta. Foi quando recebemos, de uma só vez, um elenco de grandes obras: a Escola Normal, o Grupo Escolar Marcolino de Barros, o Hospital Regional e o Fórum. Um conjunto fundamental para a nossa transformação em ou afirmação como polo regional de desenvolvimento.
Depois disso, um pouco de força, através de um ou outro Deputado, como o Leopoldo Maciel, na área federal, e depois o Binga, na estadual, sem falar nos atuais. Mas poder mesmo, nunca mais tivemos. Aliás, com imensos prejuízos para nós e toda a região, de que modo geral segue o compasso do desenvolvimento de Patos.
Aí está, para prová-lo, a falta de uma ligação asfáltica, contínua e direta para Brasília, de imensa importância para Patos e região. De resto, uma estrada de interesse nacional, porque além de representar uma ligação alternativa entre Brasília e Belo Horizonte, representa também uma excelente ligação entre a velha Capital da República, Rio, e a nova Capital. Uma estrada que, por tudo isso já estaria pronta há muito tempo, se tivéssemos força política.
Outra prova: a falta de um expressivo centro de ensino superior, representado por um conjunto de Escolas e Faculdades, de vital interesse para toda a região, onde tantos jovens não podem prosseguir seus estudos no ensino de terceiro grau, pela impossibilidade de deslocar-se para um centro distante.
Se tivéssemos força política e a política estivesse a serviço do desenvolvimento, certamente já teríamos também todo um parque agro-fabril. Ou seja, um parque industrial, apoiado na nossa fortíssima agropecuária. Seguramente, poderíamos ter aqui uma grande indústria de alimentos. E dentro dela, por certo, um grande frigorífico.
Poderíamos ter trazido ainda, importantes órgãos administrativos para cá, como a Superintendência Regional da Camig e a Administração Regional da Fazenda, entre outros.
Estou dizendo tudo isso, para mostrar o quanto poderíamos ter ganho se tivéssemos força política. E, logo, os imensos prejuízos que a nossa fraqueza política acarreta para Patos e Região. Portanto é vital para o maior desenvolvimento de Patos e da região que tenhamos força política, direcionada neste sentido. Uma política inteiramente a serviço do progresso de toda a região e do bem-estar de toda a sociedade. Logo, uma política maior, generosa, que vise o bem geral, e não uma política retrógrada, mesquinha, que se esgota na proteção aos companheiros e na perseguição dos adversários.
Força política, entretanto, não é algo que cai do céu: tem de ser conquistada. A base de tudo está na eleição de bons e genuínos representantes nossos à Assembléia Legislativa e à Câmara dos Deputados, visceralmente comprometidos com a política de poder que venho pregando e consubstanciada na colocação de gente nossa, devidamente qualificada, em importantes postos administrativos do Governo Estadual e, se possível, também no Federal.
Representantes, portanto, capazes de desenvolver uma política de poder, nos termos preconizados, para melhor carrear obras, serviços e recursos em benefício de Patos e da região.
* Fonte: Texto publicado na coluna Política com o título “Por Uma Política de Poder Para Patos e a Região (XIX)” na edição n.º 138 de 30 de abril de 1986 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.
* Foto: Do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho, via Marialda Coury.
* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.
