POR UMA POLÍTICA DE PODER PARA PATOS DE MINAS E REGIÃO – 17

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TEXTO: OSWALDO AMORIM (1986)

Todo mundo conhece a nossa grandeza sócio-econômica. Mas todo mundo conhece também a nossa fraqueza política. No primeiro caso, basta lembrar a posição de Patos como um dos grandes centros produtivos de Grãos do País (E notem que somos grandes também na produção de bovinos e de leite, e ainda constituímos o maior centro comercial da região). Para comprovar o segundo, basta lembrar que até hoje, decorridos quase 26 anos da inauguração da nova Capital da República, até hoje não temos uma ligação asfáltica direta e contínua para Brasília.

Pior ainda: dos 128 quilômetros que nos separam do entroncamento da BR-040, a rodovia Belo Horizonte-Brasília, só temos 28 km pavimentados. E só agora será iniciado o asfaltamento de mais 20 – de Presidente Olegário ao entroncamento para Lagamar. (A pavimentação do resto pode demorar, se não lutarmos unidos e na direção certa, uma vez que, até agora, ele está sendo objeto apenas de projeto para esse fim, e não de concorrência para a pavimentação propriamente dita).

Enquanto isso, o Governo do Estado aprovou o asfaltamento de 90 km entre João Pinheiro e Brasilândia, ligação cuja importância sócio-econômica nem remotamente se compara à da rodovia Patos-Poções que, além de cortar uma zona de enorme produção agrícola, complementará uma ligação alternativa entre Belo Horizonte e Brasília e, melhor ainda, uma nova e mais curta ligação entre Rio e Brasília, através de Patos, Formiga, Bambuí, Lavras, Caxambu e Engenheiro Passos, no entroncamento da Via Dutra. Portanto de importância nacional. E, naturalmente, concretizará o velho sonho de Patos e região de ter uma ligação asfáltica direta e contínua para a Capital do País, cuja falta tanto nos afetou e continua nos afetando.

Mas meu tema de hoje é a nossa fraqueza política e não a rodovia Patos/Poções, que usei apenas como um exemplo gritante dessa fraqueza, da qual os patenses precisam ter ampla consciência, como ponto de partida de um grande esforço coletivo para eliminá-la e, mais que isto, para transformá-la em força. Assim, não há porque pretender-se escondê-la: é preciso mostrá-la a todos, para que fique solarmente clara a necessidade de combatê-la. Afinal, ninguém combate uma doença, através do tratamento adequado, se ignora a própria doença.

Na verdade, a fraqueza política de Patos é histórica. Creio que só tivemos mesmo grande força política no Governo Olegário Maciel, devido ao próprio Olegário Maciel que, de uma só tacada, nos deu um elenco de obras de grande expressão, principalmente, para a época, quando Patos era apenas um embrião da cidade atual. Ou seja: a Escola Normal (a primeira da região), o Grupo Escolar Marcolino de Barros (até hoje um dos maiores do Estado), o Fórum, e o Hospital Regional (também o primeiro da região).

Até hoje elas representam um conjunto de enorme expressão. O que pensar, então do que significaram para a pequena Patos da época em que foram construídas, no início da década de 30? Foi um impacto tremendo. Sem dúvida esse magnífico conjunto ajudou a transformar Patos num centro regional, ou a dar formidável impulso ao nosso potencial nesse sentido.

Infelizmente, com a morte de Olegário Maciel, no Palácio da Liberdade, essa força se estancou ou foi enormemente reduzida. Depois disso, nunca mais tivemos nada parecido. Nunca mais estivemos no centro do poder.

Mas como somos um município de terras ricas e povo trabalhador, (nele incluído o vasto contingente de forasteiros que, ao longo do tempo, se irmanaram conosco), nós progredimos bastante, mesmo sem o devido apoio político. Ou sem o apoio político consequente com o nosso desenvolvimento sócio-econômico.

Foi exatamente por falta de força política, aliás, que perdemos uma oportunidade histórica de conseguir, junto ao então Presidente Juscelino Kubitscheck, uma ligação asfáltica até o entroncamento da BR-040, à própria época da inauguração de Brasília – que teria dado tremendo impulso ao nosso processo de desenvolvimento, e nos assegurado um presente muito grandioso.

Desde então, melhoramos um pouco, em termos de expressão política. Mas a verdade é que esta expressão continua muito longe de nossa expressão sócio-econômica, com imponderáveis prejuízos para o Município e a Região, cujo desenvolvimento, pelo menos em grande parte, segue o compasso do desenvolvimento de Patos. O progresso de Patos, portanto, afeta a toda a região por ela polarizada.

Para ilustrar esse prejuízo, basta citar a falta de uma ligação asfáltica contínua e direta para Brasília. Mas podemos citar, também, entre outras coisas, a falta, por exemplo, de um elenco de Escolas Superiores, senão de uma Universidade – capaz de oferecer aos estudantes da comunidade regional a possibilidade de fazer um curso superior, em diversas áreas, sem necessidade de deslocar-se para um centro distante e virtualmente inacessível para a maioria.

Tudo isso mostra a aguda necessidade de mudarmos este quadro. Para o bem da própria Região, precisamos aumentar, para valer, a nossa força política. E como o aumento dessa força é vital para a rede de municípios polarizados por Patos, creio que não será difícil um apoio geral neste sentido.

O trabalho inicial, entretanto, precisa ser feito em Patos mesmo, onde cumpre desenvolver uma grande consciência sobre as vantagens de um trabalho desta natureza.

A idéia básica é criar força política para colocá-la a serviço do desenvolvimento do Município e da Região. Creio que é a forma mais inteligente de corrermos em busca do tempo perdido.

* Fonte: Texto publicado na coluna Política com o título “Por Uma Política de Poder Para Patos e a Região (XVII)” na edição n.º 134 de 28 de fevereiro de 1986 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.

* Foto: Do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho, via Marialda Coury.

* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.

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