Encerrada a XXII Festa Nacional do Milho, a cidade volta ao seu ritmo normal de atividade. Ainda assim, há alguma coisa que lembra a realização da festividade, como a decoração da R. Major Gote, por exemplo.
Alguns momentos marcaram a realização da Festa Nacional do Milho encerrada no último domingo, lembrando os tempos em que a festa era mais simples e, por isso mesmo, mais popular. Um desses momentos foi quando o nosso ex-promotor público, Dr. Américo Caixeta de Santana, divulgou o nome da nova Rainha Nacional do Milho, Oneida Peres.
Muitos aplausos, abraços e até lágrimas de felicidade (da eleita), numa demonstração de que esta é uma das maiores atrações da festa, ainda que não tenha a participação do povo através do voto. Todavia, ficou claro que o povo tem que participar diretamente da eleição, como antigamente.
Roberta Vieira, ficou com o título de Rainha do Fosfato, com o qual, tenho certeza, representará muito bem o nome de Patos de Minas. Às novas majestades do Milho e do Fosfato, respectivamente Oneida Peres e Roberta Vieira, os nossos efusivos cumprimentos.
Agradou muito aos espectadores, o desfile militar e estudantil e de carros alegóricos, realizado no domingo de manhã. Primeiro, porque não houve grande atraso no horário. Depois, porque os carros mais uma vez foram bem confeccionados pelo artista Vicente Nepomuceno, ficando maravilhosos. Apenas acho que continua havendo muito espaço entre os carros.
A propósito, foram alegorias mais simples e mais comunicativas. A participação dos distritos também foi ótima, apesar de terem desfilado apenas dois carros, quando estavam previstos seis. Mas foi ótimo.
As recepcionistas deste ano tiveram presença destacada durante toda a festa. Sempre muito simpáticas e solícitas, vestiram vários e bonitos uniformes.
Uma das recepcionistas, a jovem Maria Tereza de Castro Fonseca, foi escolhida para “Miss Patos de Minas”. Aceitou e vai representar nossa cidade, no próximo concurso “Miss Minas Gerais”. Tem tudo para alcançar êxito.
O Festival de Pratos Típicos à base de Milho, realizado numa promoção da EMATER-MG, é uma atração que não pode faltar nas próximas festas. Deve acontecer em todos os anos. Foi uma boa idéia da Lusmar Costa.
Dos bailes, o que mais marcou foi o do Patos Social Clube, justamente pela categoria do conjunto PLACA LUMINOSA. Uma beleza!
O show de mais peso, de impacto, foi o de Simone, no dia 17, apesar de não ter sido atração oficial da FENAMILHO. Mesmo havendo outras atrações na cidade (ou no Parque de Exposições) e com o ingresso custando 150 cruzeiros, 1.200 pessoas pintaram no Ginásio do PTC.
Ausência mais sentida foi a do nordestino Luiz Gonzaga, que sofreu um acidente e não pôde vir. Outros não vieram, por outros motivos.
Esperava mais de Zé Rodrix no show de encerramento da festa. A apresentação começou muito tarde e o cantor estava sem acompanhamento. Tudo na base de gravação, com erros, etc. Medíocre o famoso Zé.
Gostei muito da exposição de arte que teve lugar na Prefeitura Municipal e da presença da Feira de Arte e Artesanato no Parque de Exposições.
Lamentamos, por outro lado, o grande número de acidentes de carro durante a festa, alguns violentos até. Também lamentável, foi o assassinato do conhecido motorista de táxi, Jorge Cheguri, de forma tão covarde e que aconteceu no último domingo.
Bem, gente amiga, acho que é só. Vamos esperar a próxima Festa Nacional do Milho com a esperança de que ela possa ser mais aberta, contando com alguma coisa nova para que possa melhor agradar aos que dela participarem.
Um abraço e muito obrigado.
* Fonte: Texto de José Afonso publicado em sua coluna Comunicando na edição n.º 02 de 31 de maio de 1980 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.
* Foto: Cartaz oficial da XXII Festa Nacional do Milho, do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho, via Marialda Coury.
* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.
