SOBRE O TOMBAMENTO DA CASA DE OLEGÁRIO DIAS MACIEL

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TEXTO: OSWALDO AMORIM (1987)

O tombamento da casa do Presidente Olegário Maciel é sobretudo um ato de gratidão, por tudo quanto ele fez por nós – e foi ele quem, de longe, mais fez até hoje. Afinal, foi Olegário Maciel quem empurrou Patos para o seu destino de centro polarizador de desenvolvimento, ao dotá-la, no início da década de 1930, de uma série de melhoramentos pioneiros na região e, portanto, decisivos para este fim, como a Escola Normal, o Hospital Regional, o Forum, além do maior Grupo Escolar do interior do Estado.

Mas antes de ser Presidente do Estado, como se chamava o governador naquela época, Olegário Maciel também fez muito por Patos, que administrou ainda quando arraial – o arraial de Santo Antônio dos Patos – e depois quando município, e como deputado provincial (o primeiro mandato), deputado estadual, deputado federal, senador estadual e senador federal. É de sua autoria, como deputado, a lei que elevou Patos à categoria de cidade.

Como presidente de Minas ele se tornou uma figura nacional, pelo seu estilo austero de governar e pela decisiva participação na Revolução de 30, que levou Getúlio Vargas ao poder e acabou com a República Velha. Basta ver o número de ruas e avenidas com seu nome espalhadas por todo o País.

Para se entender a profunda identificação de Olegário Maciel com Patos, onde chegou aos três anos de idade, trazido por seu pai o coronel Antônio Dias Maciel (que aqui veio juntar-se ao irmão Jerônimo Dias Maciel nas lides políticas), acho importante saber-se que aqui ele foi até juiz de paz, quando éramos ainda uma vila, condição que seu pai e seu tio nos ajudaram a galgar. No mesmo sentido, também é importante saber que ele foi engenheiro-superintendente da Companhia Belga da Estrada de Ferro Pitangui-Patos, empreendimento que afinal não se consumou.

Não é necessário um profundo levantamento histórico para se compreender a extraordinária significação de Olegário Maciel para Patos, cujo papel de polo regional de desenvolvimento ele mais do que ninguém ajudou a moldar, sobretudo como Governador de Minas.

Por tudo isso, é de inteira justiça a preservação da casa onde morou em Patos. Principalmente neste momento em que ela corria sério risco de desaparecer, para dar lugar a um prédio. Mas, quando iniciei a campanha com este objetivo pela Rádio Clube de Patos, imaginava uma solução a nível estadual para o problema. Sobretudo levando em conta a dimensão que Olegário Maciel alcançou na história de Minas. Razão pela qual não só achava mas continuo achando que ao Estado caberia a iniciativa e o ônus da desapropriação. Mas se o Município quer e pode fazê-lo, tudo bem.

Mesmo que a casa tenha pouco valor arquitetônico, não importa. A preservação se impõe não pelo estilo com que foi edificada, mas simplesmente por ter sido a residência de Olegário Maciel, que ingressou na galeria dos grandes homens públicos de Minas Gerais, por suas qualidades de notável estadista, cuja marca era a austeridade, a firmeza e a serenidade.

Mas se o Estado tem as razões para preservar a casa (e, com ela um pouco da memória) de um de seus filhos mais ilustres, Patos tem uma razão especial para desejar esta preservação: a gratidão pelo seu maior benfeitor em todos os tempos.

A desapropriação poderá ser feita pelo Estado ou pelo Município. Mas sua destinação só pode ter um destino: cultural. Lá poderá funcionar, por exemplo, um Museu Regional, idéia que prego há vários anos, com o objetivo óbvio de preservar a memória da Região, sobretudo considerando a virtual improbabilidade de que as cidades em volta venham a ter museus. Ao mesmo tempo, a casa poderia abrigar também a Biblioteca Municipal.

A peça de resistência do Museu seria o próprio acervo de Olegário Maciel, que teríamos de recuperar para este fim. Em seguida, iríamos recebendo contribuições de Patos e de toda a região.

Por sediar-se em sua casa e ter em seu acervo o seu ponto alto, o Museu bem poderia chamar-se Olegário Maciel – por extensão: Museu Regional Olegário Maciel. E por ser regional, teria necessariamente de ter todo o apoio da Secretaria Estadual de Cultura.

No mais, só me resta cumprimentar o Prefeito Arlindo Porto por decretar de utilidade pública, para efeito de desapropriação, a casa de Olegário Maciel.

A iniciativa ajudará a preservar a memória de quem tanto fez por nós e, ao mesmo tempo, nos dará precioso espaço cultural. Espaço que certamente potencializará essa memória caso abrigue um museu¹.

* 1: Leia “Museu da Cidade de Patos de Minas”, “Museu da Cidade de Patos de Minas – MuP”.

* Fonte: Texto publicado com o título “A Casa de Olegário Maciel” no n.º 154 de 15 de janeiro de 1987 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.

* Foto: Arquivo do MuP.

* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.

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