Só minha aguda consciência da crescente necessidade de criarmos força política para acelerar o processo de desenvolvimento de Patos e da Região me anima a prosseguir esta já longa campanha.
É preciso muita determinação para vencer a má vontade de uns, a indiferença de muitos e a inconsciência de quase todos, que ainda não perceberam a extraordinária perspectiva que um movimento desse tipo, abre para ambos, por levar a um esquema capaz de nos render expressivos e contínuos benefícios, em termos de obras, recursos e serviços.
Aqui, de novo devo lembrar o nítido descompasso entre a nossa grandeza sócio-econômica e a nossa inegável fraqueza política. Para provar os grandes prejuízos que ela nos tem causado, basta lembrar a falta de uma ligação asfáltica contínua e direta para Brasília, 26 anos depois de inaugurada a nova capital, e a falta de um elenco de Escolas Superiores, em Patos. Tanto tempo decorrido, continuamos apenas com uma, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
Não é preciso um grande esforço de imaginação para se avaliar os imensos prejuízos que a falta daquela ligação e a falta de um bom conjunto de Escolas Superiores acarretam a Patos e à Região. A primeira obriga a uma volta de 100 quilômetros, com a consequente perda de tempo, dinheiro e energia. A segunda, continua dificultando o acesso aos cursos superiores a uma crescente legião de jovens e adultos também e, com isso, obrigando muitos a procurarem esses cursos em centros maiores.
É bom notar que atrás dos filhos acabam indo também os pais, provocando uma crescente migração de famílias e, consequentemente, uma perda de incalculável valor econômico e social. Ademais, a maioria dos jovens (e adultos) fica impedida de prosseguir seus estudos, pela inexistência de um bom núcleo de ensino superior e pela impossibilidade de deslocar-se para centros maiores.
Mas há muitas outras coisas que poderíamos ter, se possuíssemos força política. Por exemplo, uma grande bateria de silos e órgãos como a Superintendência Regional da Camig e uma Superintendência Regional da Fazenda. A nossa condição de grande centro agropecuário nos faz amplamente merecedores dos dois primeiros itens. Afinal, somos um dos maiores centros produtores de grãos do País e possuímos, também, um dos maiores rebanhos bovinos e suínos do Estado. Para o terceiro, vale também nossa condição de potência agropecuária, a que se soma nossa condição de maior centro comercial da região.
Por tudo isso, a instalação, em Patos de uma bateria de silos e das Superintendências Regionais da Camig e da Fazenda seria a coisa mais natural do mundo. Mas o fato é que, por fraqueza política, ainda não temos esses significativos melhoramentos.
Portanto, só temos a ganhar se trocarmos essa fraqueza por uma sólida força política, que podemos conquistar através de uma conjugação de esforços das lideranças de Patos e de toda a Região.
A idéia é desenvolver uma política de poder para Patos e a Região, traduzida na ocupação de cargos expressivos no Estado e, se possível, na União, capazes de nos render vantagens, em termos de obras, recursos e serviços; e cuja base se assenta na eleição de bons e genuínos representantes nossos à Assembléia Legislativa e à Câmara dos Deputados, sinceramente comprometidos com essa política e qualificados para desenvolvê-la, além de sua missão parlamentar. Afinal, a esses Deputados cabe o papel principal na articulação e desenvolvimento dessa política de poder.
* Fonte: Texto publicado na coluna Política com o título “Por Uma Política de Poder Para Patos e a Região (XXI)” na edição n.º 142 de 30 de junho de 1986 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.
* Foto: Do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho, via Marialda Coury.
* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.
