MARIA CÉLIA COSTA SANTOS EM 1980

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CELINHA 1“… qualquer tipo de arte aqui em Patos, os grupos a fazem porque, desculpando a expressão, NÃO TÊM VERGONHA NA CARA…”

Maria Célia Costa Santos, a Célia do GRUTA, falou à nossa reportagem sobre os problemas enfrentados pelos poucos abnegados da arte em Patos de Minas, que a despeito do descrédito das autoridades locais, ainda lutam pela cultura artística de nossa terra.

O que é o GRUTA?

O GRUTA já está entrando no quarto ano de trabalho e sinceramente é difícil falar o que seja o GRUTA. O GRUTA se dividiu em quatro anos em quatro fases diferentes. É um grupo de pessoas que ainda podem fazer arte em Patos e acreditam também na arte em si e que fazem o teatro porque gostam. Agora, a nossa estrutura interna já passou por várias transições, modificações, vontade mesmo de acabar, muitas vezes sofrendo assim crises internas e quando estas são superadas, aparecem as crises externas, coisas alheias à vontade da gente. O GRUTA no momento é um grupo que ainda está fazendo teatro por acreditar no seu próprio trabalho e é um grupo, podemos dizer, consciente e amadurecido. (Consciente do que está fazendo).

Você acha que é fácil fazer teatro em Patos?

Bom, como eu já disse das causas das crises internas seria talvez falta de elementos com vontade de trabalhar, enfrentar os problemas difíceis que o próprio trabalho exige. Então este seria um problema sério que a gente enfrenta, esta transição de elementos. Quando a gente consegue firmar o grupo; pessoas que têm às vezes um ano de trabalho vão embora; ou mudam. Mas em compensação aparecem outros que querem continuar. Superada esta crise é que a gente consegue moldar novas pessoas, ao ambiente de trabalho. Aí começam os problemas externos: o apoio, não sei se seria uma casa de espetáculos que pudesse atender não só ao GRUTA mas a todas as atividades artísticas que a cidade tem. Não é fácil, porque as pessoas que poderiam ajudar-nos diretamente, estão completamente alheias àquilo que a gente faz. É um grupo muito reduzido de pessoas que fazem arte também e que vão prestando atenção naquilo que a gente faz. Mas, estas pessoas infelizmente não podem fazer mais nada a não ser estarem conosco. Não é só teatro não, qualquer tipo de arte aqui em Patos, os grupos a fazem porque, desculpando a expressão, “não têm vergonha na cara”. Porque todos que continuam, vivem dando murros em ponta de faca, sozinhos. Se os grupos existentes, resolverem parar, a arte em Patos morre. Porque os “terceiros” não fazem nada, para “eles” tanto faz. Porque infelizmente o pessoal é muito alienado, muito bitolado, o pessoal que eu digo não é o público em geral, não, como disse, são os “terceiros”. Está precisando de dar uma “lavada” muito grande em Patos, uma “podada” para Patos crescer culturalmente. Enquanto continuar certas “cabeças” nas lideranças nós continuaremos dando murros em ponta de faca.

O Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Patos de Minas está incluído entre estes “terceiros”?

Para ser clara, está sim, porque eu acredito que como Departamento de Educação 100%, nota 10, agora em matéria de cultura… Não é dividindo Departamento de Educação e Cultura, resta questionar até que ponto vai o significado da cultura para eles. Até hoje o DEC está muito restrito. O que acontece muitas vezes quando a gente precisa, temos apoio, incentivo, mas exige-se que a gente fique ali quase implorando as coisas. Não há aquele reconhecimento da entidade cultural ou artística. Então se se necessita um carrinho de propaganda, um tablado, você tem que ficar ali: pedindo “pelo amor de Deus”, como se fosse um favor que eles tivessem fazendo para nós. Vai promover-se uma atividade cultural em Patos, vamos tomar como exemplo a Festa do Milho, os grupos que fazem arte em Patos não são consultados. Quando veem tem uma programação pronta, as coisas são feitas da maneira que eles querem. Já que existe o Departamento de Cultura porque estes grupos trabalham separados do DEC? Quase que indiretamente todos elementos que mexem com arte em Patos e sobretudo que levam este nome fora, deveriam ser consultados e estarem diretamente ligados a todo trabalho cultural deste Departamento, não é só agora. Ao meu ver todas gestões passadas foram assim, não funcionaram com ninguém. O próprio Departamento não tomou consciência da sua função. Trabalha separado dos grupos, trabalha separado de tudo que é cultura em Patos. Então se você vai pedir uma ajuda você leva um mês para encontrar fulano ou sicrano. Quando você o encontra e chora e pede e implora, para conseguir.

E sendo de Patos, as peças que vocês levam fora têm mais aceitação?

É muito mais fácil a gente entrar em contato com pessoas que estão bem longe da gente do que aqui dentro da própria cidade. Por exemplo, ano passado com nossa peça infantil, “A Onça de Asas”, a gente já estava com toda a programação pronta para estrear a peça aqui em maio, e inclusive seria na Festa do Milho, e nos foi cortada a possibilidade de apresentá-la.

Se fosse peça adulta não poderia entrar?

Não é só por isso não. É por ser teatro. Então nós marcamos a peça para Coromandel e no dia 19 de maio quando a Festa do Milho estava se iniciando, nós estávamos viajando para Coromandel para apresentarmos a nossa peça lá. Voltamos a Vazante. E só em outubro apresentamos a peça aqui em patos. E não foi falta da gente tentar não. Nós estávamos com o material publicitário todo feito: seria no auditório da Rádio; o cenário era grande e precisávamos de um palco maior, e não deu certo. E em outubro nós arcamos com um aluguel pesadíssimo para nós no Riviera e levamos a peça. São estas pequenas coisas que vão acontecendo e que a gente, fora daqui, tem muito mais apoio. Por exemplo o espetáculo que iremos apresentar aqui dia 14, “Por trás das Câmaras”, nós já conseguimos apresentação para Brasília, através de contatos de pessoas daqui que moram lá. O apoio a que me refiro não é o apoio financeiro. Esta espécie de apoio é bem maior fora, do que aqui.

CELINHA 3Você acredita que exista realmente uma rivalidade entre o CET e GRUTA?

Eu acredito que o que existe é o seguinte: – pelo fato de serem grupos que se propõem a fazer teatro e em princípio a causa é a mesma, pelo fato de serem dois grupos diferentes, existem diferenças de ideias, diferentes linhas de trabalho, divergência de interesses. Eu acho que a palavra rivalidade é um pouco pesada; é como uma competição até certo ponto válida, proveitosa para os dois grupos. Em tempos atrás, talvez quando a gente era mais imatura pode ser que tenhamos levado este relacionamento por um lado mais infantil e isto poderia na época transparecer uma certa rivalidade. Não posso afirmar de que lado poderia ter partido esta rivalidade. Ambos os grupos perderam oportunidades de crescer mais, não digo união eu acredito que esta ideia de unirmos seria bastante utópica. Seria como unir dois times de futebol. Por exemplo, cada um tem uma maneira de pensar diferente. O trabalho pode crescer, mas como está; cada um na sua, sem se atacar, sem se agredir, embora não houve essa agressão que poderia ter atrapalhado. Eu pessoalmente nunca tive dificuldade de pedir ou encarar as pessoas do CET, frente à frente. A rivalidade aconteceria a partir do momento em que tivesse falsidade, fingimento. Neste relacionamento pessoa a pessoa, nunca houve problemas. Ambas as partes têm condições de se olhar de frente. Não existe esta questão de um prejudicar o trabalho do outro. Nós nunca tivemos medo, se precisarmos do CET e pedirmos ajuda a eles temos a certeza, que se eles puderem nos atender, eles o farão e vice-versa. Houve foi uma falta de maturidade de levar a luta de acordo. É importante ter dois grupos trabalhando na cidade. Pois, um pode fortalecer o trabalho do outro e a cidade, presenciar espetáculos em linhas diferentes.

NOTA: Na mesma edição da revista, na coluna “Cultura” (responsabilidade dos autores da entrevista), consta a seguinte nota: Está em apresentação no Auditório da Rádio Clube de Patos, o espetáculo teatral “Por trás das Câmeras”. Maria Célia, produtora, diretora e autora da peça, nos diz que “é um trabalho cuja temática central é a televisão, onde questionamos a influência dessa TV, na cabeça das pessoas. Sob o prisma de que vivemos dentro de um grande circo e cada um faz o espetáculo do cotidiano à sua maneira. A realidade política, econômica e cultural do Brasil atual é projetada de maneira sutil, irônica, ingênua e inteligente, e mais, nos fala Célia, é um espetáculo colorido, dinâmico, forte e atual, como se fosse uma programação da TV. O aspecto visual é muito importante e belíssimo e conta com o toque do nosso Beto.

REVISTA A DEBULHA, EDIÇÃO N.º 10, 30 DE SETEMBRO DE 1980

Diante dos fatos que você respondeu na pergunta passada, de que para a cidade seria interessante ter dois grupos de teatro, nós queríamos que você nos explicasse a ausência de peças durante este ano. Porque somente agora, em setembro, após um semestre inteiro de inatividade, aparece uma. Por que isto?

É um problema que mesmo eu ainda não entendi, mas que de uns tempos para cá tem sido assim. Em 1978 nós montamos “A BRUXA” e “SEX SHOW GENESE”, no 1.º semestre. No 2.º semestre o CET entrou com “Quarto de Empregada” e em novembro com “O Milagre de Anne Sullivan”. Teve inclusive a temporada simultânea. Ano passado nós estávamos com a nossa peça montada no 1.º semestre, mas não foi possível apresentá-la. Chegou outubro o CET encerrou a temporada da peça infantil deles e nós apresentamos a nossa, que também era infantil, a partir do dia seguinte. Talvez fosse falta de coordenar. Fazer uma programação prévia. A gente poderia combinar: nós entramos no 1.º semestre e o CET no 2.º semestre. Falta de entendimento. Isto seria importante porque desacostuma o público, acumulam muitas promoções nesta época de outubro, novembro. Em dezembro já entra numa fase mais fria. É realmente falta de controle dos dois grupos.

Você acredita que Patos teria condições de fazer temporadas teatrais?

Acredito que sim. Trabalhos alternados, grupos diferentes, daria certo. Porque se fosse só um grupo o pessoal acostumaria com o estilo de trabalho e mesmo com o elenco. Tem estrutura sim, cobrando ingressos mais baratos. A gente gasta mais ou menos três meses para montar um trabalho, depois a gente ficaria três meses apresentando (finais de semana), enquanto outro grupo preparava (outra) peça.

Célia, como é este trabalho? Controlar a vida de atriz com o trabalho profissional?

Às vezes uma das duas atividades fica um pouco prejudicada, embora eu, faço porque gosto muito. Dou aula porque gosto e faço teatro porque gosto mais ainda. Eu procuro não misturar de forma alguma as coisas. No ambiente de trabalho, só mesmo quando tenho muita liberdade, falo do meu trabalho no teatro. É difícil, mas a gente tem o sábado e domingo livres, dá para controlar bem.

Dentro do GRUTA existem elementos que lhe ajudam ou você trabalha mais sozinha?

Tem, porque por melhor que seja o líder (líder e não ditador), ele precisa de pessoas que o ajudem. Quando nós começamos, éramos quatro, ou melhor, somos, porque ainda estamos lá até hoje (Selma, José Humberto, Beto e eu). Nós não elegemos quem iria liderar o grupo. Éramos os quatro, trocávamos ideias e resolvíamos tudo juntos. Então às vezes pela diferença de idades, de maturidade, com o passar do tempo eu fui me sobressaindo como líder do grupo. Mas sem ser imposta e o pessoal foi aceitando numa boa. Embora existam no grupo pessoas de muita força, capacidade de liderar, como o Beto, o José Humberto. Existe uma diferença muito grande em liderar o grupo no seu todo e em liderar um trabalho artístico, dirigir uma peça, neste caso, todos no grupo têm capacidade de fazê-lo. Mas aqueles macetes de liderar um grupo, aceitar todos como eles são, ou dar bronca quando precisar, de arcar mesmo com o grupo em si, isto não é fácil.  Acredito que foi privilégio meu, sabe? Eles me dão muita força, me ajudam muito. Ano passado inclusive houve eleições e Carlos Lacerda ficou como presidente, eu fiquei afastada, da diretoria, o ano todo. Mudou tudo. Eu fiquei dirigindo a peça “A Onça de Asas” e o Carlos com a parte da estrutura do grupo. E não funcionou, muito bem, talvez pelo costume. Mesmo os meninos, se fosse para eles liderarem o grupo todinho, tenho certeza que não conseguiriam, pelo que já disse acima.

Qual o critério adotado por vocês para aceitação de novos membros?

Normalmente as pessoas passam a participar do grupo porque são amigos ou mesmo conhecidos. Geralmente quando a gente vai realizar algum trabalho cada elemento chama uma ou duas pessoas para entrarem. Embora a gente evite entrada de pessoas muito amigas, que estão pensando em fazer “panelinha”. Nestes casos normalmente as pessoas entram por interesse pessoal. Não existe testes ou algo assim.

Qual foi a aceitação da peça de vocês no FESTIMINAS?

O Festival de Uberlândia foi uma experiência muito grande para nós, pois foi nossa segunda participação em Festivais de teatro. A gente estava preparado, consciente daquilo que a gente ia receber lá; que eram pessoas exigentes em matéria de teatro. Como vocês sabem esta classe com “olho crítico” é a pior que tem. Eles assistem a peça não se deleitando com o espetáculo, mas procurando erros, falhas, detalhes. Se gostam, falam e se não gostam, falam também. As apresentações não tinham caráter competitivo, era mesmo mostragem do que se faz no teatro mineiro. Foram 25 cidades, 25 peças. O nível das peças em geral, foi o pior possível. Nossa peça foi apresentada no dia 22 de julho e antes disso nós estávamos com medo por causa do “clima” que estava lá, parecia uma arena cheia de leões. Jogavam os grupos lá no palco e o povo caia em cima com críticas destrutivas. Chegamos até pensar que não deveríamos colocar nosso trabalho em debate, porque nós estávamos conscientes do que estávamos fazendo: montagem, texto, da nossa intenção. Então se as pessoas falassem de mal jeito seria pior, ia ferir e não construir. Uma semana antes de nossa apresentação, Juiz de Fora se apresentou e o José Luiz, que é o máximo em criatividade, fez o pessoal calar. Eles não tinham o que falar da peça deles, pois além do mais era de nível muito bom. E isto nos animou. Depois de nosso trabalho. Sinceramente, o pessoal calou. Só abriram a boca para agradecer pelo espetáculo dado.  Mesmo trabalhos mais fracos de algum ator, eles não falaram. Uberaba, Alfenas, Juiz de Fora e nós, fomos os grupos destacados.

CELINHA 2Fale sobre a peça “POR TRÁS DAS CÂMERAS”.

Este nome significa duas coisas. A primeira, que a gente estaria por trás de uma câmera e levando esta câmera aonde nós quiséssemos. Nós estamos atrás das câmeras. E o segundo, além de estarmos operando esta câmera, estamos mostrando uma realidade que “talvez estivesse por trás das câmeras”. Agora, este texto foi escrito ano passado. A linguagem do texto é uma linguagem poética. Escrevi este texto num momento de bastante consciência política. Quando este ano o Beto teve a ideia de fazer um trabalho sobre a televisão, sugeri que colocássemos este texto dentro desta montagem. Como o texto era pequeno, nós fizemos uma colagem, encaixamos poemas de outros autores, colocamos música e fizemos assim o trabalho como um show. E sobretudo porque questiona a própria televisão, a base do trabalho é a televisão, fizemos como se fosse uma programação de televisão, repartindo os quadros. Retratamos a realidade, os momentos marcantes que a gente sente agora no Brasil. O problema das multinacionais, questão do dólar e da própria televisão se é brasileira, ou americana. A gente mostra também o jogo da TV. Ano passado por exemplo, o Ano Internacional da Criança, foi aquela badalação toda e este ano nem tocam mais no assunto. Este ano a televisão está de “unhas e dentes” lutando pela legalização do aborto. Então de repente a televisão se sentiu dona de começar a ditar as normas para o povo. A televisão é um instrumento que está dentro da casa de cada um e atinge todos os níveis de mentalidade. Então a televisão tornou-se um meio de manipular a cabeça das pessoas. Partindo destes princípios resolvemos fazer um trabalho para questionar estes aspectos.

“Por Trás das Câmeras” é um trabalho esperado com ansiedade pela cidade, e qual é a expectativa do grupo para a apresentação deste trabalho em Patos, depois da aceitação que houve em Uberlândia?

Justamente por isso nós estamos um pouco receosos, talvez pela aceitação que houve em Uberlândia e até aonde o nosso trabalho vai preencher a expectativa das pessoas. Nós acreditamos no nosso trabalho e por enquanto nós esperamos o dia.  Porque é um trabalho forte, pesado. A gente se acostuma tanto com o trabalho que a gente se perde. Esta fase de entusiasmo, inclusive nós ficamos quatro meses montando o trabalho. Inclusive foi muito devagar. Tem coreografias criadas por nós, o Arlindo deu uma ajuda, assim, em preparo de corpo, algumas dicas, mas no mais a criação foi nossa. O processo de criação foi muito importante para nós. O visual e o conteúdo do trabalho eu acredito que dá para agradar. O texto é bastante sutil, a gente não fala nada claro, gratuitamente. As pessoas têm que estar por dentro do contexto político, social, por uma palavrinha, uma expressão, diz tudo a quem está realmente atento às coisas. Tem inclusive o risco das pessoas não entenderem nada, porque o texto não diz nada claro, leva as coisas de uma maneira ingênua, satírica, brincalhona.

Independente desta peça, qual o público que você mais acha consciente, na comparação entre Patos e Uberlândia, em termos mais vibrantes?

O público de Uberlândia vibrou, nós sentimos que eles gostaram mesmo. Agora, nós nunca fizemos um trabalho deste tipo em Patos, então eu não sei. Por exemplo se fosse público infantil, soltar um colégio para ir lá assistir, eles avacalham, não têm aquela maturidade, gozam, etc. Eu realmente não sei lhe dizer.

Você disse que o estudante não é educado para assistir teatro. Isto seria só com o teatro ou qualquer outro espetáculo? O que fazer para educá-los?

São pessoas inconsequentes, quando se reúnem em grupos… porque se for estudante isolado do outro, tudo bem. Eu acho que deveriam ser feita apresentações internas nos colégios, que se façam esquetes, para que eles se acostumem, porque isto é falta de costume. Inclusive na época de nossa peça “A BRUXA”, que nós fizemos um trabalho em todos os colégios, houve dias que a gente pensava que não dava para apresentar. Houve dia que tivemos de parar a peça e pedir: ou que as pessoas subissem ao palco, ou que se retirassem. Não que a gente não tivesse estrutura para continuar a peça com conversa, mas a gente viu que não dava, que o pessoal não estava ligando nem um pouco para o que se passava no palco. É preciso instruir, os professores falarem: isto é educação. Os professores de educação artística e português poderiam ajudar,  porque existem por exemplo, colegas que não têm educação para ouvir um colega que vai lá na frente dar um aviso. Se estão em turma, ou de uniforme acabou, eles perdem a identidade e a educação também. A conscientização deveria partir de cada escola, de cada professor, e de cada aluno para que eles aprendam a assistir um espetáculo.

Qual a peça que você se sentiu melhor encenando?

Foram duas. A primeira que fiz em 1973 foi: “ARENA CONTRA ZUMBI” foi um teatro de arena que teve aqui em Patos. Um grupo de pessoas (que não era grupo teatral), coordenados por um Professor do Polivalente, Antônio Vicente, hoje em BH onde faz teatro e é profissional. Eu me senti muito bem, foi meu primeiro trabalho de teatro mesmo, trabalhei ao lado de Romero Nepomuceno, Telma Corrêa, Luiz Carlos e Fátima Goulart. E o outro trabalho é “A BRUXA”, peça que o grupo todo (GRUTA) gostou de fazer. Embora a gente tenha gostado demais do “Sex Show Gênese”, eu particularmente, foi “ARENA CONTRA ZUMBI” e “A BRUXA”.

Você tem algum texto que tenha vontade de montar?

Tenho, “Beijo no Asfalto” de Nélson Rodrigues.

Quem você considera em Patos que apoia em todos os sentidos nossa cultura?

Eu acho que é o Dr. Murilo, uma pessoa que está ali no seu cantinho, e dá uma força incrível. Vilma Boaventura, que apoia sempre o teatro. São pessoas que não têm condição de fazer mais por nós, mas ajudam e principalmente nos dão apoio.

Fale de um ator (atriz) que você admira.

Fernanda Montenegro, Lima Duarte. E dou muito valor no talento da Marlene Pinheiro, daqui de Patos.

Célia, então muito obrigado, e qualquer coisa que precisar da gente, através de “A DEBULHA”, estaremos aí.

Na oportunidade, sou eu quem agradece todo o apoio e incentivo que já foi dado ao nosso “POR TRÁS DAS CÂMERAS”, através desta revista, que realmente está preocupada em “debulhar” as necessidades culturais de Patos.

NOTA: Na mesma edição da revista, na coluna “Comunicando” de José Afonso, está registrado: Estreia do show do GRUTA “Por trás das Câmeras”, dia 13 de setembro foi um sucesso. Casa cheia, no auditório da Rádio Clube. Prova de que o povo patense está prestigiando.

* Fonte: Entrevistas publicada nas edições n.º 09 e n.º 10 de 15 de setembro e 30 de setembro de 1980 da revista A Debulha, por Inez Marina, Marco Antônio e Vicente de Paulo, do arquivo de Dácio Pereira da Fonseca.

* Fotos: Facebook da entrevistada.

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