TADINHA DA INOCENTE JULINHA

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Na década de 1980, para um cidadão conseguir um cartão de crédito, as exigências eram muitas, principalmente no quesito comprovação de renda. Vai daí que o talão de cheques era o meio mais utilizado, pois bastava ter uma conta corrente num banco. E tome cheques sem fundos!

Naqueles idos, eis que o bem-apessoado Márcio, 28 anos, um conquistador inveterado, daqueles que não lhe interessava de modo algum compromisso sério, estava namorando a Julinha, 21 anos, inocente que nem bebê ao passar a mão dentro da fralda com os dedos e saborear seus produtos intestinais.

Depois de dois meses, não mais suportando as evitações da moçoila, impedindo que suas reais intenções se concretizassem, o moçoilo resolveu dar o bote. Num determinado sábado, escolheu uma das butiques mais famosas da época, de roupas caríssimas, localizada no centro do miolo do olho da cidade – entre as Ruas General Osório e José de Santana, Avenida Getúlio Vargas e Praça dos Boiadeiros – e para lá levou a sua vítima.

A Julinha se sentiu no paraíso, vendo tantas vestes maravilhosas e luxuosas, e já se imaginando dentro delas perante suas amigas. Não perdeu tempo e escolheu três peças que considerou maravilhosas e, inclusive, determinou qual delas seria usada no baile próximo a acontecer no Patos Social Clube. O namorado não era sócio, mas, óbvio, seus pais arrumariam convite para ele.

Totalizada a compra, o Márcio, com o semblante sério, sacou seu talão de cheques, preencheu o valor altíssimo, assinou, destacou a folha e entregou ao caixa. Ao lado, o gerente disse:

– Desculpe, espero que não se aborreça, mas como você não tem cartão de crédito, é norma da loja, em compras de alto valor pagas com cheque, esperar a compensação para a entrega das mercadorias. Na próxima terça-feira, à tarde, cheque compensado, a compra estará à sua disposição.

Imediatamente, veio a resposta do Márcio:

– Perfeitamente, vê-se que aqui a coisa é séria. Sem problema algum. E olhando para sua Julinha, emendou: – Então, meu amor, terça-feira de tarde venha aqui pegar esses meus presentes dados a você por meu coração que tanto te ama.

Que final de semana quente teve a Julinha com seu amado Márcio. Na segunda-feira, ele disse que ia resolver um negócio em Uberlândia e que, quando voltasse, no máximo na quinta-feira, queria vê-la com as belas vestes. Então, veio a fatídica tarde de terça-feira. Julinha foi à loja pegar os seus presentes. Que decepção ao ouvir as palavras do gerente:

– Infelizmente, senhorita, você não poderá levar as compras, pois que o cheque não tem fundos.

Pois é! Cuidado, jovens senhoritas, com bem-apessoados conquistadores!

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Foto: Montagem de Eitel Teixeira Dannemann sobre foto publicada em 01/02/2013 com o título “Casa do Hugo – 1”.

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