LEOPOLDO E A SOGRA

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O Leopoldo jura de pés juntos aos amigos e a qualquer um que seja que nunca e em tempo algum fez ou faria uma coisa como aquela. Afirma, e com convicção, que foi única e exclusivamente um pequenino malentendido. O fato é que numa bela manhã de quarta-feira, por volta das oito e meia, mês de agosto de 1976, um comerciante localizado no Bairro Rosário recebe uma complicada ligação telefônica do Leopoldo:

– Alô, minha sogra está querendo pular pela janelinha aqui da torre da Igreja do Rosário. Por favor, será que dá para você vir o mais rápido possível, pois é um caso de extrema urgência.

– Quem está falando?

– Alô, venha rápido, por favor.

– Moço, de onde você está falando, o que está acontecendo?

– Ora, acabei de falar que minha sogra está querendo pular da janelinha da torre da Igreja do Rosário, então eu só posso estar na janelinha da torre da Igreja do Rosário. Você vem ou não vem?

– Mas, homem, o que você está fazendo aí?

– Gente, vem logo, estou aqui na janelinha da torre da Igreja do Rosário aconselhando ela e ela está concordando comigo, só que preciso de você aqui com urgência.

– Aconselhando quem?

– Ô disgrama, já falei que estou com a minha sogra aqui na janelinha da torre da Igreja do Rosário e que estou aconselhando ela a…

– Escuta moço, me desculpa, mas você tem que ligar para a prefeitura, para a polícia, para corpo de bombeiro, menos para cá. Isso aqui é uma serralheria, que é que eu tenho a ver com você na janelinha da torre da Igreja do Rosário aconselhando a sua sogra?

– Mas é isso mesmo, homem, preciso que você venha aqui urgente, pois a disgranhenta da janelinha não quer abrir de modo algum…

É certo que o serralheiro não foi até a janelinha da Igreja do Rosário para conferir a veracidade do fato. Certo é que o Leopoldo e a sogra mal se falam. Será mesmo que foi apenas um malentendido?

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Foto: Montagem de Eitel Teixeira Dannemann sobre foto publicada em 28/02/2013 com o título “Prefeitura em 1916”.

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