PESAGEM DE BEBÊ NUMA FARMÁCIA

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Nos idos tempos, várias farmácias se tornaram populares pela competência de seus profissionais, muitos deles práticos, e pela excelência no atendimento, como por exemplo, a do Agenor Maciel, a do Carlos da Costa Soares, a Nossa Senhora Aparecida, a Rezende, a São Domingos (Altino Caixeta de Castro), a São José (Zico Amorim), a Borges (Eunapio Corrêa Borges), a do Sebastião de Castro Amorim, a do Hercílio Trajano e por aí vai, foram tantas.

Não era comum naqueles idos a presença de balanças de pesar pessoas em estabelecimentos farmacêuticos. Porém, na década de 1970, um deles, localizado na Rua Major Gote, vizinho ao prédio do antigo Cine Tupã, tinha uma Filizola, mecânica, robusta, de ferro fundido, com mostradores grandes e ponteiros visíveis, muitas vezes medindo também a altura com uma haste deslizável para cima e para baixo.

Certa vez, entrou no estabelecimento uma senhora carregando um bebê de aproximadamente um ano. Antes de entregar uma receita a um dos balconistas, zanzou por toda a loja escolhendo alguns produtos de perfumaria e shampoos. Escolhidos os itens, entregou a receita e ficou esperando a soma do valor total a pagar, quando notou a balança. Veio-lhe a vontade de verificar o peso do bebê. Pesar o bebê? Pois é, pesar somente o bebê, pois a senhora não tinha intenção nenhuma de verificar o seu peso, que, aos olhos de todos os presentes, estava bem acima do aceitável para uma boa saúde corporal.

Nessa inusitada situação, pela primeira vez surgida para os funcionários, o bebê não poderia ser colocado na base da balança onde as pessoas pisam. Discutiram sobre como pesar um bebê numa balança que não era própria para pesar bebês. Vai daqui, vai dali, até que um teve a ideia de arrumar uma leve caixa limpa de papelão e acolchoá-la para acondicionar o bebê.

Entretanto, o gerente discordou peremptoriamente, pois não tinha cabimento colocar um bebê dentro de uma caixa de papelão, mesmo que higiênica e acolchoada, para ser pesado numa balança que não era própria para pesar bebês. Afirmou, categoricamente, que a farmácia poderia até ser punida judicialmente pela Secretaria de Saúde, por causa disso. Assaz inteligente, ele forneceu a solução:

– Gente, é muito simples. Pesamos a mãe com o bebê no colo e depois pesamos só a mãe. Daí, é só tirar a diferença e pronto, está o peso do bebê.

O gerente logo convocou a mãe, que ouviu cada palavra sobre a solução do problema, mas questionou:

– Vamos deixar isso pra lá porque, assim, não tem jeito de descobrirmos o peso do bebê.

– Ora, minha senhora, mas é tão simples.

– Não é tão simples como o senhor está dizendo. Eu disse que não tem jeito de descobrir o peso do bebê porque eu não sou a mãe dele, e sim a sua tia. Entendeu?

Após pagar a conta, a tia saiu da loja com o bebê, abismado com a burrice dos funcionários. Tem base?

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Foto: Montagem de Eitel Teixeira Dannemann sobre foto publicada em 01/02/2013 com o título “Casa do Hugo – 1”.

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