O Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), também conhecido como Graxaim-do-mato, é um mamífero pertencente à família Canidae, que também inclui cães, lobos e raposas, comumente encontrado em diversas regiões da América do Sul. É especialmente notável por sua adaptabilidade a diferentes tipos de habitats, como florestas, cerrados e áreas rurais. A sua classificação taxonômica o posiciona como um dos representantes mais interessantes dessa família, evidenciando suas peculiaridades biológicas e comportamentais.
Em média, atinge um comprimento de cerca de 64 centímetros, o que lhe confere uma estatura considerável dentro de seu habitat natural. A sua cauda, por sua vez, apresenta uma extensão de aproximadamente 31 centímetros, desempenhando um papel crucial na sua locomoção e balanceamento enquanto atravessa a densa vegetação das florestas. Pesa em média 8,5 kg.
A pelagem é outro aspecto notável, ostentando um pelo que pode variar em coloração e padrão, oferecendo uma camuflagem eficaz em meio a seu habitat. A preferência por habitat de mata virgem está diretamente relacionada à presença de tocas, fendas e ocos de árvores, que são utilizados como abrigo e locais de descanso. Tais estruturas naturais oferecem proteção contra intempéries e predadores, além de serem fundamentais durante a fase reprodutiva, quando as fêmeas precisam garantir a segurança de seus filhotes. Assim, a preservação da mata-virgem e de áreas adjacentes não só contribui para a sua sobrevivência, mas também para a manutenção da biodiversidade e o equilíbrio ecológico da região.
As cores podem incluir tonalidades que vão do marrom ao cinza, com manchas e listras que ajudam a se misturar com o ambiente, um mecanismo de adaptação que aumenta suas chances de sobrevivência contra predadores. Essa variação de pelagem é particularmente útil, permitindo que ele se camufle durante a caça e ao se evadir de ameaças.
No ecossistema, desempenha um papel vital como predador e controlador de espécies. Sua dieta onívora, que inclui pequenos roedores, insetos e frutas, permite uma regulação populacional de várias espécies, contribuindo para o equilíbrio ambiental. Além disso, sua presença no habitat é um indicador importante da saúde do ecossistema em que vive.
É também conhecido por sua habilidade em se adaptar a mudanças de ambiente, o que demonstra sua importância na manutenção da biodiversidade. Suas patas são ágeis e robustas, facilitando a movimentação em terrenos variados, desde florestas densas até áreas abertas. A estrutura do seu corpo, que combina agilidade e resistência, permite-lhe explorar o solo da floresta e, ao mesmo tempo, subir em árvores quando necessário. Essa versatilidade é essencial, visto que ele é um animal onívoro que se alimenta de pequenos mamíferos, frutas e invertebrados, exigindo uma dieta diversa e adaptativa.
Culturalmente, carrega um peso simbólico significativo em diversas comunidades brasileiras. Mitos e lendas frequentemente associam este animal a elementos da espiritualidade local, indicando sua relevância nas tradições populares. A percepção do Cachorro-do-mato na cultura brasileira varia, mas geralmente reflete um reconhecimento da sua importância tanto como parte do folclore quanto como um elemento integral da fauna nativa. Dessa forma, ele não é apenas uma espécie de interesse científico, mas também um símbolo de uma rica herança cultural que merece ser preservada e estudada.
A atividade noturna desses animais é predominantemente ligada a sua busca por alimento, uma estratégia evolutiva que lhes permite evitar predadores e maximizar sua eficiência de caça. Durante a noite, utiliza sua excelente visão e olfato para explorar o ambiente, caçando pequenos mamíferos, aves e insetos, que compõem a maior parte de sua dieta. As interações sociais entre eles refletem seu comportamento noturno, onde se observa a formação de pares ou laços temporários, principalmente durante a época de acasalamento. Apesar de sua natureza relativamente solitária, podem se reunir em pequenos grupos em busca de recursos. Essa dinâmica social em pares permite a troca de informações sobre a presença de predadores e a localização de alimentos, aumentando as chances de sobrevivência. Onívoros, sua dieta abrange uma ampla gama de alimentos, com destaque para pequenos vertebrados, invertebrados e diversas espécies de frutas. Os pequenos vertebrados, como roedores e aves, são capturados ocasionais, enquanto os invertebrados incluem insetos e crustáceos.
Atua também como um dispersor de sementes. Sua dieta variada, que inclui frutas, permite que ele consuma e posteriormente elimine sementes em locais distintos, facilitando a regeneração de plantas nativas. Esse processo é vital para a diversidade biológica da mata-virgem, promovendo a saúde do ecossistema. A interação entre ele e outras espécies, seja por meio da predação ou da dispersão, exemplifica a interconexão entre os organismos que habitam estas florestas.
Além de suas habilidades de caça, possui estratégias de defesa impressionantes. A habilidade de camuflagem, aliada à agilidade em ambientes densos, possibilita que consiga escapar de possíveis ameaças. Mesmo quando caçam sozinhos, eles recorrem a táticas baseadas em furtividade, como movimentos discretos e aproximações cuidadosas, para capturar suas presas com eficácia. Essa adaptabilidade em relação aos hábitos noturnos é essencial para a sua sobrevivência, uma vez que os recursos alimentares podem ser escassos em determinados períodos, e a competição por eles pode ser acirrada.
Enfrenta diversas ameaças que comprometem sua sobrevivência. Entre os principais fatores estão a perda de habitat devido à desmatamento e a urbanização crescente, que reduzem o espaço vital dessa espécie. As florestas tropicais, onde ele habita, estão sendo convertidas em áreas agrícolas e urbanas, gerando um impacto significativo na diversidade biológica. Além disso, a fragmentação de habitat dificulta sua movimentação e a manutenção de populações viáveis.
Outra ameaça considerável é a caça, tanto para a obtenção de pele e carne quanto por conflitos com atividades agropecuárias. Em diversas regiões, esses animais são perseguidos por predar aves de criações e pequenos animais domésticos, gerando uma relação de antagonismo entre os humanos e eles. A intensidade dessas práticas de caça não apenas diminui a população da espécie, mas também afeta seus padrões reprodutivos e sociais.
* Fonte: Graxaim-do-mato (Cerdocyon thous.) ou Cachorro-do-Mato: O Fascinante Graxaim da Mata-Virgem. Série: Animais Silvestres/Educação e Interpretação Ambiental. Projetos: Aprendendo com os Animais e Plantas na Mini-Fazenda/ Eco Cidadão do Planeta ICA/UFMG. Artigo Técnico/ Conscientização/ Ponto de Vista nº 5. Autor: Délcio César Cordeiro Rocha ICA/UFMG, presente em doutorzoo.com.
* Foto: “Cachorro-do-mato está se adaptando ao homem para sobreviver”, de Paulo Henrique Marinho e Tamara Santos (oeco.org.br)
* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.
