CORUJA

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7Em 26 de junho de 1997, a britânica J. K. Rowling lançou o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. Imediatamente a publicação ganhou imensa popularidade, uma verdadeira febre, continuada com os outros seis volumes da série e as adaptações para o cinema. Concomitantemente houve outra febre: a de se ter uma coruja como animal de companhia igual à Hedwig do personagem que deu nome à obra literária. Foi um alvoroço que teve consequências funestas para a ave.

Centenas de corujas foram abandonadas por seus proprietários na Inglaterra. Várias entidades de proteção estão lotadas de aves resgatadas ou doadas – e acredita-se que muitas mais podem ter sido soltas na natureza, correndo risco de morte por não saberem se alimentar sozinhas. J. K. Rowling, em defesa das corujas, pediu aos fãs de Harry Potter para não manter uma coruja como animal de companhia e fez o apelo: “Se você gosta de coruja, por que não patrocinar um animal em um santuário de pássaros, onde você pode visitar e saber que ela tem uma vida feliz e saudável?”. Lindas e inteligentes, as corujas são uma das aves mais belas e imponentes do reino animal. E tanta beleza desperta o desejo de muitas pessoas, que apaixonadas por esses animais, desejam tê-los como bichinhos de companhia. Mas será que uma coruja é um bom animal de companhia?

A realidade dos fatos é que estas aves, que vivem cerca de 20 anos, necessitam de muitos cuidados. A gaiola ideal, por exemplo, precisa ter mais de seis metros – além de ser cara, toma muito espaço. Para se ter uma ideia, antes de pousar, uma coruja precisa conseguir bater suas asas ao menos 5 vezes. Segundo responsáveis por centros de proteção, não são raras as vezes em que corujas domésticas não possuem essas condições e houve uma vez em que duas foram encontradas vivendo na mesinha de cabeceira de sua dona. No Reino Unido não há lei que condene quem capture e transforme corujas em animais de companhia, mas é proibido soltar os bichos domesticados na natureza.

Quem está pensando em ter uma coruja como companheira de estimação deveria pensar em outro animal, pois ela não é uma boa escolha para animal de companhia. Além disso, ela forma laços fortes com seu proprietário, e por essa razão, tempo também é primordial para interagir corretamente com o animal, que pode se tornar violento, atacar outros animais e pessoas, caso não receba os cuidados e atenção necessárias.

Ao contrário de outras aves de seu porte, as corujas não vivem em bandos na natureza, tornando-as extremamente antissocial com as demais, exceto para seus companheiros e sua prole. A mentalidade de rebanho é o que permite outras aves integrar-se com sucesso em uma família humana. As corujas têm seu dono como único “companheiro”. Os outros são “inimigos”, que podem ser atacados. Como elas se acasalam para toda a vida, podem tornar-se deprimidas a ponto de morrer, caso sejam transferidas aos cuidados de outra pessoa.

A alimentação da coruja também é um ponto crítico. Como ave de rapina, ela tem necessidades nutricionais especiais que não podem ser cumpridas a contento em uma casa comum. Não é possível oferecer à coruja alimentos como sementes, frutas, ou ração estrusada. Ela também não vai se alimentar dos preparados vendidos para outras aves. A coruja é carnívora e deve ser alimentada com roedores inteiros a fim de satisfazer as suas necessidades alimentares complexas.

Você pode até treinar uma coruja para se alimentar com a carne comprada no açougue, e viver dentro da sua casa ou apartamento, mas provavelmente, em pouco tempo, você terá um animal doente e depressivo. A questão é: você acha que vale a pena sujeitar um animal tão magnífico a uma vida assim?

Nossa dica para os apaixonados por corujas é bem simples: Compre um bom binóculo e uma câmera fotográfica e registre toda beleza das corujas em seu habitat natural!

* Fontes: Amorpet.orgfree.com e Revistagalileu.blogo.com.

* Foto: Coruja-das-Torres (Tyto furcata/Tyto alba), de Cieldepapillons.blogspot.com.

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