Quando, quem sabe na década de 1950 ou 1960, sei lá, eu me senti como um imóvel habitado pela primeira vez, todo o meu entorno¹ era uma calmaria salutar. Tanto era que, repare bem, sou daquele tempo em que as fachadas com as janelas das casas davam no passeio, e não havia nenhuma grade de proteção, como essas. Inúmeras vezes eu presenciei pessoas passando por aqui, chegando nessa janela, que quase sempre ficava aberta, e gritavam pelo nome de alguém dentro de mim. E na janela mesmo, o papo rolava legal. Infelizmente, o tempo foi passando, o progresso veio ardilosamente nos consumindo para a construção de edifícios e, se foi coincidência ou não, a violência veio junto. Vai daí, que muitos proprietários de casas negociam suas moradias para a construção dos tais edifícios e vão morar neles para se sentirem mais seguros. Será isso mesmo? Se sim ou não, já me preocupo com meu futuro, e não é de hoje. Eu, que já fui residência por décadas, venho aconchegando comércios. Já não sei quem é meu atual dono, e não tenho a mínima ideia do seu pensamento sobre o meu futuro. Será que meu atual dono está resistindo à especulação imobiliária, o tal do progresso? Se sim, até quando? Melhor não ficar ruminando isso, porque é ruim para as minhas estruturas. Melhor é ter a certeza, independente do meu futuro, de que faço parte da História de Patos de Minas. E mais certeza ainda de que, quando chegar a minha vez, deixarei saudade!

* 1: O imóvel localiza-se na Rua Teófilo Otoni, entre a sua colega Alfredo Borges e a Praça Dona Genoveva.
* Texto e foto (12/01/2026): Eitel Teixeira Dannemann.
