BICICLETA, O TRANSPORTE DO PATENSE

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TEXTO: OLIVEIRA MELLO (1971)

Hoje em dia, o automóvel deixou de ser objeto de luxo e passou a ser uma necessidade, sobretudo em vista das contingências atuais. Por isto, através de financiamento, cooperativas, etc., todos procuram um meio de adquirir o seu automóvel. Aqui em Patos de Minas, mesmo com o automóvel na garagem, não se dispensa a bicicleta. É o veículo de todos e para os momentos imprevistos. (Depois de muitas tentativas, sómente agora uma linha de ônibus circulares conseguiu vingar. O povo preferia a sua bicicleta aos circulares morosos).

Curioso que, de médico a estudante, de rico a pobre, de sacerdote a operário, de velho a môço, de lavrador a professor, da caduquice à inocência infantil, todos, ainda hoje, possuem a sua bicicleta e pedalam por todo canto desta formosa terra.

A bicicleta em Patos de Minas, é o veículo em que se carrega até a família inteira. Faz às vêzes de um automóvel. Muitas vêzes a gente contempla a mãe na garupa com uma criança no colo, outra sentada no cano, firmando-se no guidão e o pai, pedalando, com outra criança firme no braço direito. O operário a carregar suas ferramentas, escadas e quejando para o trabalho; o empregado de armazém a transportar sacas de cereais para entrega; o padeiro a levar o pão à porta dos fregueses, na manhã mal nascida. E assim, sôbre as rodas de uma bicicleta, lá vai tôda a família ou para a igreja ou para visitar alguém, ou para assistir a qualquer desfile ou qualquer divertimento, ou ainda a levar algum viajor à morada sem regresso.

O trança-trança da bicicleta é grande. Sobretudo à tarde, pois é o meio de que a criança se serve para o passeio vespertino pela cidade. Era também o meio de passeio preferido das môças a pouco mais de uma década. Durante o dia, lá estão as bicicletas encostadas aos meios-fios dos passeios, às portas das igrejas, do comércio, dos bancos, dos grupos escolares, dos colégios, das construções das fábricas, das casas de diversões, por todo lado estão presentes. Todos a utilizam.

Muitos poderiam perguntar: − “mas por que esta invasão e êste amor pela bicicleta em Patos de Minas?” Muito simples. Pela situação da cidade: plana e convidativa para o uso de tal veículo.

O principal presente dos pais para os filhos na data aniversária, ou no Natal, ou ainda como prêmio pelos bons resultados obtidos nos estudos é uma bicicleta.

Desta forma, todo o povo de Patos de Minas (na atualidade talvez pelo crescimento da cidade e pelo elevado preço de uma bicicleta, tem diminuído muito o seu uso) sem preconceito de profissão ou de classe social, pedala a sua bicicleta pelas largas e acolhedoras avenidas e ruas da Capital do Milho. Coisa difícil é encontrar um patense que não saiba andar de bicicleta. Pois, podemos dizer, todo patense já nasce pedalando uma bicicleta.

* Fonte: Texto publicado na edição de 1971 do livro Patos de Minas: Capital do Milho, de Oliveira Mello, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann.

* Foto: Meandros.wordpress.com.

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