SOBRE A PLANTA DO GRUPO ESCOLAR DE PATOS − 2

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2A partir do final da década de 1900, pequenas notas começaram a surgir na imprensa sobre a real viabilidade da construção de um grupo escolar na cidade. A edição de 15 de novembro de 1908 do nosso 1.º jornal, O Trabalho, anunciou a chegada da planta da escola¹. Eis que, 5 (cinco) anos depois, a edição de 12 de janeiro de 1913 do nosso 2.º jornal, O Commercio, estranhamente anunciou o mesmo:

Si a reconstrucção da ponte sobre o Paranahyba é uma realidade, acaba de chegar-nos a planta do Grupo Escholar, para proceder-se ao devido orçamento.
O terreno obtido e escolhido traz-nos dois proveitos. Está designado o logar, até hoje occupado pelas velhas e feias casinhas da Matta.
Não ha ninguem nesta terra, nem hospede que, quando extasiado ante a magestosa belleza do Largo da Matriz, não accrescente logo: – É preciso retirar aquellas casinhas.
Ora, edificar-se o Grupo Escholar nesta sumptuosa avenida, e fazer-se desapparecer o que lhe enfeia, é proveito duplo.
Quanto à realização d’êste ideal – a fundação do Grupo Escholar em Patos – ha tantos annos almejado, si para muitos é problematico, nós não o consideramos assim:
1.º porque, si é uma verdade o lastimavel estado da instrucção primaria entre nós, é logico que todos hão de querer sair d’êste estado;
2.º porque, achando se na gestão da Secretaria do Interior, homem da envergadura do Dr. Delphim Moreira, e este promovendo o levantamento da instrucção primaria do Estado, os seus antecedentes não nos auctorizam a suppor que sejamos menos aquinhoados na partilha d’êstes beneficios;
3.º porque, si o esforçado Secretario já manifestou vontade de nos dar um Grupo Escholar, a idéa será realizada.
Dadas, pois, as circunstancias expostas, não vemos razões para descrermos da realização d’êste desideratum.
É verdade que a nossa sociedade é pobre, mas, com um pouco de sacrificio e bôa vontade, tudo se fará.
O carinho e o desvelo do illustre Secretario do Interior, empregados em melhorar a instrucção, o interesse do benemerito Governo do Estado, em distribuir os mesmos favôres com igualdade a todos e a solicitude, esforços e bôa vontade de nosso illustrado e emprehendedor Presidente e Agente Executivo, empregados neste sentido, tudo nos faz crer que, sem duvida, irá avante a grandiosa empreza.
Assim, pois, contamos certo com a fundação do Grupo Escholar d’esta Cidade.
Continuaremos.

O Grupo Escolar de Patos² foi instalado em 04 de junho de 1917, tendo como diretor o professor Modesto de Mello Ribeiro. Em 1918 recebeu a denominação de Grupo Escolar Marcolino de Barros. Depois que o Grupo se mudou, funcionou no local o Ginásio Municipal de Patos (Benedito Valadares)³. Posteriormente o prédio foi demolido e construída a Escola Normal Nossa Senhora das Graças. A matrícula inicial do Grupo foi de 321 alunos, sendo que 184 deram frequência no primeiro mês.

* 1: Leia a parte 1.

* 2: Digite Grupo Escolar de Patos no espaço de buscas, clique em enter e assim surgirão vários textos sobre o assunto.

* 3: Leia “Ginásio Municipal de Patos”, “Regulamento do Internato Dom Alexandre do Ginásio Municipal de Patos” e “Prof. Anair se Muda Para BH e Vende o Ginásio Municipal Benedito Valadares”.

* Fonte: Texto publicado com o título “As Nossas Esperanças” na edição de 12 de janeiro de 1913 do jornal O Commercio, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Do livro Patos de Minas Centenária, de Oliveira Mello.

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