EMPREITEIRO SE RECUSA A RECONSTRUIR A 2.ª PONTE DO RIO PARANAÍBA

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Acompanhado de alguns officiaes, esteve na cidade o arrematante das obras da ponte do rio Paranahyba¹.

SS depois de ter examinado o local do serviço, declarou não fazer a ponte, sob pretexto de que a importancia destinada para o pagamento era pouca.

Sciente da resolução terminante do empreiteiro, foi elle procurado pelo nosso esforçado Presidente e Agente Executivo², que, procurando zelar pelos interesses de seus municipes, prometteu-lhe ajudal-o perante o governo para o pagamento da ponte branca³ que não foi orçada, ou então com a quantia de dois contos de reis a titulo de indemnização por parte da Camara, sob condição, porem, d’elle atacar logo o serviço: sendo aceitta esta proposta.

Apezar d’isto, porem, o tal Sr. arruma armas e bagagens e parte com seus officiaes para S. Pedro ou Bello Horizonte, deixando-nos sem esperanças de termos tão cedo a ponte, que tanta falta nos tem feito.

O povo que, cada vez mais, vai ficando prejudicado com a falta da ponte, o povo que reclama sem cessar a sua reconstrucção è que soffre todas as más consequências desse jogo.

Esperamos, portanto, que o Exmo.º Dr. José Gonçalves4 tomará, neste sentido, immediatas providencias em beneficio d’este povo que lhe admira o caracter bemfazejo e patriota.

* 1: As Antigas Três Pontes do Rio Paranaíba”.

* 2: Marcolino de Barros.

* 3: Na engenharia, o termo “ponte branca” refere-se geralmente a uma passarela ou estrutura provisória de madeira construída sobre lâminas d’água. Sua função principal é sustentar equipamentos, maquinários e equipes técnicas durante a execução da fundação de uma ponte definitiva.

* 4: José Barbosa Gonçalves foi um político gaúcho que atuou como Ministro da Viação e Obras Públicas durante o governo de Hermes da Fonseca, de 1912 a 1914.

* Fonte: Texto publicado com o título “Ponte sobre o Paranahyba” na edição de 15 de novembro de 1913 do jornal O Commercio, do arquivo da Hemeroteca Digital do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

* Foto: Início do texto original.

* Edição: Eitel Teixeira Dannemann.

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